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Exige dos corpos uma disposição para o dissenso, para a experimentação múltipla e para o deslocamento de si, lembrando Michel Foucault (1984). Não há criação possível na ausência do desejo de se tornar algo diferente do que se é. O corpo que cria e se recria é máquina desejante. É potência revolucionária que inaugura imagens do porvir. A dimensão política do ato criativo possibilita a invenção de linhas de fugas, que são abalos, desvios, deslocamentos e desterritorializações que rompem com o esperado e descaracterizam as geografias mapeadas pela normatividade. Uma abertura de flancos para o surgimento de novas gentes, afectos e modos de existência que clamam pelo que vem de fora. E o que vem de fora desestabiliza, produz fissuras por onde a vida escapa e anuncia os devires-minoritários, quero dizer, as diferenças. Já a criação como atividade po(é)tica, inspira-se no que ainda não tem nome e nem lugar no mundo, ou seja, no que ainda não é, mas que pode vir a ser. Mesmo que por um lapso de tempo. É um movimento indissociado da poesia, da paixão e do cuidado da vida e suas possibilidades (eis o caráter ético da ação criativa: seu comprometimento com a manutenção da vida), porque advoga pela liberdade e pelo engenho de inéditos modos de existência (poiesis). Inspirada em oscilações que criam combinações aleatórias e bizarras % est(é)ticas marginais %,  a vida como poesia aloja-se na compreensão íntima, zona de fuga, fissura incomensurável que abre e que não pode ser cicatrizada (PASSETTI, 2004, p. 70). Criar constitui-se, ainda, como um ato artístico. Isso porque toda inspiração criativa traz no seu ventre uma revolta, algo de peculiar muito próximo ao inconformismo, enfim, um profundo desejo de romper e/ou reformar a ordem do dia. Nas palavras de Deleuze e Guattari (1996), criar é compor blocos de sensações, afectos e perceptos. Forças que lançam o homem para o além-do-homem e engendram heterotopias. Esta escritura corresponde a uma passagem da minha dissertação de mestrado onde trago para a arena o debate sobre a criação do corpo-masculino-docente. A partir de narrativas obtidas sob forma de entrevista, ergo problematizações em torno de acontecimentos biográficos narrados por seis (6) professores e que por eles são associados ao processo de invenção de seus corpos e masculinidades. Procuro compreender como esses professores % que do ponto de vista da masculinidade hegemônica não estão integrados % constroem e experienciam corpos-masculinos-menores na relação com o exercício da docência no Ensino Médio. O movimento de criação e recriação dos corpos e das masculinidades desses sujeitos é tomado pelo que tem de mais singular, isto é, uma potência transformacional engendrada pelo encontro com os discentes no ambiente pedagógico. Trata-se de certa atmosfera artística, política e po(é)tica que, surgidas das afecções mobilizadas pelo estar juntos dos docentes e discentes, deslocam as corporeidades masculinas das referências hegemônicas do gênero lançando-as para um processo de hibridização. Ao longo do texto utilizo como objeto de reflexão excertos das falas concedidas por educadores em atividade e identificados pelos seguintes pseudônimos: Curinga, Davi, Dionísio, Híbrido, Jorge e Ricardo. A docência parece ser escolhida como lócus onde criam heterotopia para si. Ali o corpo-masculino-docente  esquizoafetado e as novas formas de sociabilidade ganham formas e expressões. Além de clamarem, permanentemente, pelo seu devir-nomádico. Corpos-masculinos-docentes: presenças híbridas  Presença que foge do controle. Um corpo que se dissolve. Uma masculinidade que voa para longe de si... Redes neurais que ganham formas e logo se dispersam. Espaços onde vejo afluir experiências... , diz o professor Híbrido ao final de sua  entrevista-conversa . Ele parece falar certa plasticidade no modo como experiencia e percebe seu corpo e sua masculinidade. Sua narrativa chama a atenção para um jeito fluido de experimentar o corpo e o gênero. Esse mesmo aspecto já havia aparecido nos depoimentos da maioria dos professores entrevistados, inclusive no do próprio professor Híbrido, entretanto faze questão de, ao final de seu depoimento, dar mais uma vez ênfase à relação entre corpo, gênero, docência e liberdade. Ele anuncia um corpo e uma masculinidade docente em processo de libertação, pois se ergue de maneiras improváveis nos enredos sociais por onde transita. São lugares, tempos, encontros e acontecimentos que, forçosamente, criam linhas de fugas para a experiência da corporeidade masculina. Um corpo em dissolução. Uma masculinidade para além dos limites de sua história. Redes em movimentos que, simultânea e paradoxalmente, conectam-se,  ganham forma e logo se dispersam , porque feitas na dobra: limite tênue entre o  fora e o  dentro . Lugar onde, num lapso de tempo, a corporeidade-masculina-docente  é , e logo deixa de ser, pois é feita de experiências que têm o poder de libertá-la. Assim, movida pelo desejo de liberdade, flui, dispersa-se, (des)conecta-se e transforma-se. Estaria o professor Híbrido narrando a experiência do nomadismo em torno do gênero e da corporeidade? O nomadismo pressupõe a experiência do deserto de si, do lugar fora do lugar, da viagem sem destino e do perpétuo vir-a-ser. Deleuze (1990) observa que a experiência nomádica é, necessariamente, o germe da revolução de qualquer tempo e de qualquer corpo. Sobremaneira, adverte-nos para a revolução no futuro das gentes: Se os nômades nos têm interessado tanto, é porque eles são um vir-a-ser e não fazem parte da história; são dela excluídos, mas se metamorfoseiam para reaparecer de outra maneira, sob formas inesperadas, nas linhas de fuga de um campo social (p. 209). Os devires que pulsam no corpo e na masculinidade do professor Híbrido parecem acontecimentos que se cravam na história presente do campo de sentidos da masculinidade e da corporeidade hegemônicas. O corpo que foge ao controle e a masculinidade que se desintegra são expressões de devires que reclamam sua irredutibilidade e com isso constroem para si  a mínima diferença em espaços fora dos lugares comuns. Nessa mesma direção também segue o depoimento do professor Davi:  Me experimento como um ser fora da história e do tempo comum. Um ser diferente porque não escolheu o lugar comum. O dito mundo dos machos como morada . E também o professor Jorge:  Eu não gosto de me repetir. Não gosto de ser o mesmo sempre. Esse tempo pra mim já passou. Aqui na escola eu me repetia muito. Deve ser por causa da repressão sexual (risos...). Mas hoje eu me espalho e não to nem aí . Os corpos e as masculinidades docentes apresentam-se nessas narrativas, como campos de fluxos e intensidades que nos fazem duvidar de toda verdade que para si são traçadas. Tencionam limites. Fissuram estruturas. Fendem sentidos e rompem com a linearidade que os interpela. Nesse movimento, recriam traços e confundem suas imagens. Fazem de si um lugar de acontecimentos. Lugares que se erguem em oposição ao sedentarismo anunciado pela norma. Há um movimento inescapável que faz suas presenças fruírem: a força do desejo pela libertação e pelo direito à pluralidade. Trata-se de uma força produtora de um intenso movimento que produz pequenos espaços de passagem por onde nasce a diferença:  as minorias, os devires, as  gentes [...] são os devires que escapam ao controle, as minorias que não cessam de ressuscitar e de fazer enfrentamentos (Deleuze 1990, p. 208). Nesse caso, então, os corpos e as masculinidades docentes que alçam vôo para desconhecidos planos, não visam caracterizar aquilo que são, mas, seguindo linhas de fragilidades, procuram detectar por onde e como o que são poderia deixar de ser. Num processo de desterritorialização, assumem o movimento como característica singular. Para Foucault (1994b), o deslocamento é visto como uma espécie de  fratura virtual que abre um espaço de liberdade concreta, isto é, a transformação possível (p. 449). Docência masculina e artistagem Esses homens da docência destacam-se justamente por serem uma espécie de subtração do poder normatizante, pois violam os códigos consagrados e ousam viver a diferença tecida nas margens % do lado de fora da vida prescrita, do amor perfeito e do desejo canonizado. São, portanto, corpos e masculinidades docentes por onde  afluem experiências e de onde testemunhamos a assunção de sensibilidades ético-políticas. A narrativa do professor Ricardo parece apontar para essa direção:  Sabe, essa coisa da emoção é algo muito forte em mim. Não sou determinista em minhas posições, mas sou emocionalmente intenso nelas. É por aí que vejo minha diferença como homem e como professor. Penso que é por isso que me considero uma pessoa aberta e sensível ao outro e às suas diferenças . É pertinente sublinhar que estamos refletindo sobre corpos e masculinidades docentes em estilhaço. Ou melhor, o que está em cena são processos de subjetivação em recessão. Isso porque se apresentam como linhas de fuga que subvertem e/ou rompem com as verdades dominantes; não desejam o centro nem tampouco aspiram para si uma definição precisa. São subjetividades nômades que passam, que alterizam, que vibram e constroem para si e em si espaços po(é)ticos e artísticos de constituição. Percorrem caminhos irregulares e instáveis, apresentando-se, por fim, de modo sensivelmente surpreendente. Suas dimensões são sempre múltiplas e heterogêneas. Tocados pelos fluxos moventes, pelas conexões e linhas de fugas, esses sujeitos inauguram novos sentidos e rabiscam suas cartografias. Parecem se lançar para fora de si e/ou buscar o além-do-homem, para lembrarmos Nietzsche/Zaratustra (1986): Eu vos ensino o além-do-homem. O homem é algo que deve ser superado. Que fizeste para superá-lo? Todos os seres, até agora, criaram algo para além de si mesmos. Quereis antes ser a vazante dessa grande maré cheia e retroceder ao animal, em vez de superar o homem? Que é o macaco para o homem? Um riso ou uma dolorosa vergonha. E mesmo isso deve ser o homem para o além-do-homem: um riso ou uma dolorosa vergonha. [...] Vede, eu vos ensino o além do homem. O além do homem é o sentido da terra. Vossa vontade diria:  o além do homem seria o sentido da terra (p. 3). A compreensão nietzschiana do além-do-homem como  sentido da terra incita-nos a pensar o que é e quem é o homem, seu corpo e sua masculinidade, por exemplo, na sua posição de natureza. As subjetividades nômades dos professores em questão parecem ilustrar bem a ideia de Nietzsche, pois para ele  o homem não é um ser que possua uma essência imutável, mas um estar-a-caminho, uma transição, jamais um fim em si mesmo: o homem é uma corda esticada entre o animal e o além-do-homem. Uma corda sobre o abismo (Ibidem, p. 04). Numa aproximação com Foucault, o além-do-homem presente em Zaratustra corresponde aos processos de subjetivação, pois neles os sujeitos põem-se em movimento, alteram-se e, por vezes, transpõem a si mesmos. Nos depoimentos dos professores, narrativas de si, ficam evidentes os movimentos de produção de sentidos inerentes aos processos de subjetivação. A experiência de si, que Foucault chamou de  subjetivação , torna-se o lugar onde o sujeito se constitui e, paradoxalmente, se desfaz. Um processo de subjetivação está para as forças assim como na passagem de um rio forma-se remansos que são como que riachos dentro de um rio maior. Riachos com suas próprias correntezas, muitas vezes divergentes com relação à corrente maior. Diz-se que esses remansos de forças são excessos do rio, pois são remoinhos que se formam em função da corrente principal. Mas são eles igualmente recessos do rio, onde acontece algo inédito, isto é, os remansos de subjetivação funcionam como portas pelas quais forças entram ou são perdidas para um rio maior (CARDOSO JR., 2005, p. 188). O professor Curinga chama-nos a atenção para o movimento de tensão gerado no encontro com os alunos e que o faz refletir sobre si, no que se refere ao seu modo de ser professor e homem. Vejamos:  Hoje encontramos nas escolas um novo perfil de aluno. Esse novo público desestabiliza aqueles professores que estavam acostumados com alguém que era apenas ouvinte e bem comportado. A geração que nós temos hoje na educação, no Ensino Médio principalmente, já começa a votar com dezesseis anos, então quer dizer, ela já tem vida política, ela já tem vida sexual ativa, porque isso começa muito mais cedo do que a geração anterior. Eu vivi e ainda vivo o impacto dessa diferença toda. Toda essa força, essa beleza, vai te levando e te transformando. Só precisamos nos permitir . O transbordamento desse encontro com o estrangeiro % esse corpo que vem de fora, o/as alunos/as % convoca o corpo docente ao estrangeirismo. À saída do lugar comum. O convite parece seduzir o professor referido à partida para uma viagem (processo de subjetivação) para fora de qualquer espaço, história ou geografia conhecida. Um processo de subjetivação que subtrai da realidade e põe o pensamento em dívida, em dúvida. O encontro com o quem vem de fora possibilita o roubo de si: a experiência de saída de si. É possível aqui lembrar Blanchot (1959), que diz:  o que é primeiro não é a plenitude do ser, é a fenda e a fissura, a erosão e o espaçamento, a intermitência e a privação mordente: o ser não é o ser, é a falta de ser, a falta vivente que torna a vida desfalecente, inapreensível e inexprimível (p. 59). As forças que vêm de fora, os alunos e alunas com  novo perfil , conforme argumenta o professor, clamam por novos espaços na escola, e, por que não dizer, por novas formas de sociabilidade. Essa potência que vem de fora advoga por um novo futuro para si e, simultaneamente, produz impactos sobre os corpos dos outros. Abrem novas possibilidades de futuro para o corpo do outro. O encontro com o que vem de fora se converte em um movimento de resistência e de inventividade, pois segundo Deleuze (1998), a força de fora é a vida. Que territórios são esses para onde migram os professores dessa história? Seria possível mapeá-los e/ou cartografá-los? Para onde voam seus corpos? Para onde vão suas masculinidades? Que mistério é esse produzido no encontro com o outro % os alunos e alunas % e que os lançam para  campos de refugiados, campos de exilados, campos de deslocados, campos de detenção (VILELA, 2001, p. 236), mas que, no entanto,  uma vez mais, faz com que se criem a partir de um movimento centrífugo dos regimes de poderes e verdades (Ibidem, p. 236)? Que lugares e movimentos seriam esses? Algumas pistas até aqui encontradas nas narrativas docentes indicam que estamos falando de lugares e movimentos intermináveis, ou seja, as heterotopias. Corpos que se encontram: potência criativa Os corpos e masculinidades dos docentes referendados miram rotas oblíquas, horizontes inalcançáveis e territórios ainda sem nome. Buscam a construção de espaços em si e fora de si, que parecem deslizar para fora de todo lugar demarcado e/ou instituído: heterotopias. Elas  são lugares fora de todos os lugares inda que absolutamente localizáveis , reitera Foucault (2003, p. 27). Seriam corpos e masculinidades de passagem? Irredutíveis à expressão de um movimento de busca por aquilo que ainda não tem nome, nem identidade e nem lugar localizável, embora, paradoxalmente, localizável? Corpos às margens. Masculinidades rebeldes. Corpos que excedem. Masculinidades que excedem. Seria o encontro com os outros, o lugar de construção de heterotopias? Um espaço de liberdade onde os professores e também os/as alunos/as experienciam a criação? Seriam essas algumas das revelações que os personagens dessa trama tentam nos contar, ou seja, narram a experiência de corpos e de masculinidades errantes e refugiadas que arquitetam heterotopias de si? Subjetividades nômades. Identidades inconclusas, ambas, à beira de si. À beira dos caminhos os conduzem a si, e, contraditoriamente, os distanciam de si.  À beira , espaço de fora, periférico. Lugar onde a vida ganha potência. Espaço para onde se deslocam os  docentes peregrinos para o descanso, para a farra, para a bebedeira e para a profanação da ordem vigente, isto é, aquilo que é sacro aos corpos dos  homens de verdade . Tudo isso para pluralizar o corpo e a masculinidade; incorporar diferentes performances à masculinidade hegemônica e contestá-la; inventar inéditos modos de vida e afetar-se por eles; multiplicar, pluralizar, hibridizar. Seriam os espaços da docência, para esses personagens, ambientes micropolíticos seminais onde a vida escapa aos desígnios do controle normativo e advoga a liberdade? lugares reais, lugares afetivos, lugares que são desenhados na instituição mesma da sociedade, e que são espécies de contra lugares, espécies de utopias afetivas realizadas, nas quais os lugares reais [...] são, por sua vez, representados, contestados e invertidos, espécies de lugares que estão fora de todos os lugares (FOUCAULT, 2003, p. 63). Em razão disso, talvez possamos falar em corpos e masculinidades heterotópicos e que, por isso, legitimamente marginais. Os professores entrevistados, de diferentes maneiras, falam de uma busca pela liberdade que está ligada à abertura para novas experiências com os outros e consigo mesmos. Para eles, a possibilidade de transgredir ou mesmo escapar dos códigos que demarcam o corpo-masculino-hegemônico encontra-se no viajar. Suas viagens são inúmeras: às vezes partem para destinos conhecidos, outras vezes para terras estrangeiras. Ora sozinhos, ora acompanhados. Entretanto, também viajam sem sequer sair do lugar. Eles falam de suas excursões pedagógicas e dos efeitos que elas produzem sobre seus modos de ser e de existir. Com a mesma intensidade com que são negados pelas normas regulatórias do gênero, eles reagem a esse poder, e, num movimento de fuga, desafiam a ordem prescrita, vazando para o exterior % lugar onde se afirmam como sujeitos plurais. O espírito nômade desses sujeitos rejeita as interpelações institucionais que aspiram colocá-los no centro e/ou nos lugares comuns, pois o que querem é o movimento, a troca constante de posição e de referenciais, não se deixando reduzir nem ao um e nem ao múltiplo, mas mantendo aberta a possibilidade de estarem sempre no meio - atmosfera onde nascem para as diferenças. Isso caracteriza uma busca ativa pela ampliação de suas possibilidades de intervenção no mundo. Uma busca que está intimamente associada ao desejo de manter abertos e vivos os espaços de criação e experimentação da liberdade de si e da relação com o outro, atuando, como sugere Foucault (1994c),  como aqueles que combatem tudo que liga o indivíduo a si mesmo e assegura, assim, sua submissão às verdades dos outros (p. 227). Assim, frutos de uma espécie de  incerteza nomádica , no lado de fora, esses homens experimentam o trânsito como estilo de subjetivação, conquistando para si uma política migratória que os caracteriza como sujeitos de passagem em que tudo que são revela apenas momentos do seu ser. São, portanto, corpos-masculinos-docentes em trânsito. Referências BLANCHOT, Maurice. Le livre à venir. Paris: Gallimard, 1959. CARDOSO, JR. Hélio Rebello. Foucault e Deleuze em co-participação no plano conceitual. In: RAGO, Margareth, ORLANDI, Luiz B., VEIGA NETO, Alfredo. (Orgs.) Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzschianas. 2 Ed. Rio de Janeiro:DP&A. 2005. DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia, vol. 3/. Tradução de Aurélio Guerra Neto et. al. São Paulo: Ed. 34, 1996. DELEUZE, Gilles. Lógica dos sentidos. São Paulo: Perspectiva,1998. _________. Kafka: por uma literatura menor. Rio de Janeiro: Imago, 1997. _________. Pouparlers. Paris: Minuit, São Paulo: Brasiliense, 1990. FOUCAUL, Michel. Ditos e escritos. São Paulo: Forense Universitária, 2003. _________. Vigiar e punir. Petrópolis: Editora Vozes, 1989 _________.A sociedade da verdade. Ditos e escritos, Rio de Janeiro: Zahar, 1994b _________. Ditos e escritos. São Paulo: Forense Universitária 1994c.   _________. História da Sexualidade (Vol. II: O uso dos prazeres). Rio de Janeiro: Graal, 1984. NIETZSCHE, Friendrich .Assim falou Zaratustra  um livro para todos e para ninguém. Trad. Mário da Silva. Rio de Janeiro: Civilização Brasiliense, 1986. PASSETTI, Edson. Arte e resistência: ensaios entre amigos. Ih: LINS, Daniel (Org.) Nietzsche/Deleuze, 2004: arte, resistência: Simpósio Internacional de Filosofia. Rio de Janeiro: Forense Universitária; Fortaleza, CE: 2007. VILELA, Eugénia. Corpos inabitáveis: Errância, filosofia e memória. 2001 Habitantes de babel. In: LARROSA, Jorge; SKLIAR, Carlos (Orgs). Habitantes de Babel: políticas e poéticas da diferença. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.   Psicólogo, mestre em Educação pela Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC (e-mail: rogeriomachado6@yahoo.com.br).  Para Deleuze & Guattari (1996) as afecções são forças estranhas que irrompem sobre o fluxo comum de um corpo, isto é, os devires não humanos do homem.   Os perceptos são as paisagens não humanas da natureza (Ibidem, p. 220).  Nietzsche/Zaratustra (1986).   As heterotopias são lugares fora de todos os lugares ainda que absolutamente localizáveis , reitera Foucault (2003, p. 27).  Deleuze e Guatarri, na obra  Kafka - por uma literatura menor , desenvolvem o conceito de  literatura menor como dispositivo para analisar a obra de Kafka. Os textos de Kafka são considerados subversivos e revolucionários porque representam uma atitude de resistência à própria língua alemã. São uma espécie de literatura menor, afirma Deleuze. Quantas pessoas hoje vivem em uma língua que não é a delas? Ou então nem mesmo conhecem mais a dela, ou ainda não a conhecem, e conhecem mal a língua maior da qual são obrigadas a servir? Problema dos imigrantes, e ressaltam Deleuze e Guatarri (1997),  é a de uma língua menor, mas antes o que uma minoria faz em uma língua maior (p. 25). Na perspectiva de Kafka, judeu tcheco que escreveu em alemão por causa da ocupação alemã na região, uma literatura menor desagrega a própria língua, pois corrói o seu interior sendo veículo de desagregação dela própria. A partir dessas ideias, Deleuze e Guatarri apresentam três características básicas de uma literatura menor: desterritorialização da língua, pois desloca a língua de seu território  natural ; ramificação política, porque desafia o sistema estabelecido; valor coletivo, uma vez que fala do coletivo e para o coletivo e não por si mesma. Em sua voz ecoam as inquietações de uma comunidade minoritária. Assim, a ideia de corpo-masculino-menor, advém desses pressupostos.  O nômade não é forçosamente alguém que se movimenta: existem viagens num mesmo lugar, viagens em intensidade, e mesmo historicamente os nômades não são aqueles que se mudam à maneira dos migrantes; ao contrário, são aqueles que não mudam, e põem-se a nomadizar para permanecer no mesmo lugar, escapando dos códigos. [...] E mesmo se a viagem for imóvel, mesmo se for feita num mesmo lugar, imperceptível, inesperada, subterrânea, devemos perguntar quais são nossos nômades de hoje (Deleuze & Guattari, 1996, p.328). Fazendo Gênero 9 Diásporas, Diversidades, Deslocamentos 23 a 26 de agosto de 2010  PAGE 3 ¦¨ª¬ÔÖÜülnp¶¸ºN P ž   & ”¢œ46–˜ÊÌÐÎüú,.¢z\ h ´ â ø!ú!""8"`"b"ð#(.v1l3n3$7R8�8B:øôôôëôçççÝÝÝÔÔÔÃÔÔ¹ÔÔÃÔÃÔÃÔÔ¹Ô¹¦ÔÔÔ¹Ô¹ÔÃÔݙݹ¹ÔÔ�ÔÔ¹Ô¹CJaJOJQJCJ65aJ]OJQJ$jU0J0JCJ6aJOJQJCJ6aJOJQJ!jU0J0JCJaJOJQJCJaJOJQJCJ5aJOJQJ5\jU0J0J5\CJ5aJ\8B:F:º>A$B,BEEEHEJEÎGøG I^KTRVRÂVÄVº\Ú\¬^6c8cÀdFiªoÒsÖsŒyŽy�yæyèyæ|‚„ˆˆˆŠˆ>‹@‹2Œ4ŽhŽò�ø�°”¶”Ȕؔ²•´•\›’›¬›®›Æ›BœDœ2ž4ž`ŸbŸèŸ÷÷÷÷í÷÷ãã÷÷í÷í÷÷Ú÷÷í÷Ú÷÷í÷÷÷÷÷ãã÷÷÷÷÷÷Ú÷÷ÐÄеÐÄÐÄÐÐÐÄа¨¡°¡°¡°¡ 0JOJQJ5\OJQJOJQJB*phCJaJ\OJQJCJ6aJ\OJQJCJaJ\OJQJCJaJOJQJCJ5aJOJQJCJ6aJOJQJCJaJOJQJ?èŸz ¡˜¡®¡Ê¡¢°¢>£ü£þ£0¥2¥ò¦ô¦º¨¼¨¾¨À¨Â¨Ä¨¼©¾©Â©ôªöªúªüªŠ«Ž«�«Î«Ð«Ö«Ò¬Ô¬Ø¬.·\·’·”·–·š·¢»¤»¦»¨»ª»Ê»¼L¼N¼P¼\¼^¼`¼b¼ùùùùñìùùùìùìììùììèÝÝÔÝÏÏÝÝÏÝÈÀÈÏÝ»ÔÔ¶­­¤­ž™ž™�CJaJUCJaJCJaJ CJaJUB*ph€€€CJaJB*ph€€€CJaJ jUCJaJ0J6OJQJ 0JOJQJOJQJCJaJOJQJjU0JOJQJ5\OJQJ6]OJQJ 0JOJQJ8b¼p¼¦¨ª¬ØÚÜlnp¶¸N & œÐöñìçâàÞд§’’’’’1dh$a$1$„^„„]„„„`„„ 1dh$a$1$ Æg )„^„„]„„`„ )„^„„]„„`„ 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