ࡱ;   !"#$%&'()*+,-./0123456789:;<=>?@ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ[\]^_`abcdefghijklmnopqrstuvwxyz{|}~Root Entry  FMicrosoft Word-Dokument MSWordDocWord.Document.89qOh+'0|8 @ L X d p2@ k@@ @bk՜.+,D՜.+,\6 [vvPadro(d$a$1$*$7$5$3$A$/B*OJQJCJmHsHPJnH^JaJ_HtHBA@BAbsatz-StandardschriftartBBAbsatz-StandardschriftartHHWW-Absatz-Standardschriftart66Fonte parg. padroJ!JTexto de balo CharOJQJCJ^JaJ,1,Cabealho Char&A& Rodap CharPQPTexto de nota de rodap CharCJaJLaLCaracteres de nota de rodapH*D&qDncora de nota de rodapH*@@ nfase SutilB*phOJQJCJ]PPReferncias Bibliogrficas OJQJCJFFCaracteres de nota de fimH*HHWW-Caracteres de nota de fim>*>ncora de nota de fimH*HHCaptulo x$OJQJCJPJ^JaJ8B8Corpo do texto x"/"Lista^J@@Legenda xx $CJ6^JaJ]((ndice! $^JR"RTexto de balo"ddOJQJCJ^JaJ@2@ Cabealho#dd 8!: B:Rodap$dd 8!NRN FG9_titulo1%$a$;OJQJCJmHsH5nHRbR FG9_autor&dd$a$OJQJCJmHsHnHFrFNota de rodap'ddCJaJDqDFG9nota_de_rodape($a$OJQJzzFG9corpo_do_texto.)dh$a$^]`OJQJCJmHsHnHxxFG9citao_longa.*dd$a$^]`OJQJCJmHsHnHll FG9_titulo2(+dh^]`hOJQJCJmHsH6nHTTFG9_referencia,dd$a$OJQJCJmHsHnHJJTtulo do ndice-OJ QJ 5PJ^J\0 0ndice 1 .aJD>DTtulo/dd<OJQJ5KH^J\:J: Subttulo0$a$CJ6aJ]BBCorpo de texto 21dx4"4 Normal (Web) 2ZqrZTEXTO DE NOTA DE RODAP3^]`4B4Sem Espaamento14RRCitao1 5dd^]`B*phCJ]j 9\}fiq r 9\TT`bdfB:bp_`abAs¨nrcdefghijT[]e!t ,b$7I*rHBhE0:@(    Z/A 3?C" 0(  < C 9\!%T9\9\P GTimes New Roman5Symbol3&ArialGTimes New Roman7&Calibri5&TahomaOLucida Sans Unicode5Tahoma5Tahoma7Cambria"h憬[ AA[ AA'0M 0rCaolan80 TaRr e_cl . $" 6 8n $ DC` "X." " CORPOS HBRIDOS NA DOCNCIA: DAS MASCULINIDADES MARGINAIS ESTTICA DA EXISTNCIA Rogrio Machado Rosa Palavras-chave: corpo, docncia, masculinidades, esttica da existncia A vida como arte de inveno de si Criar exerccio eminentemente poltico, po()tico e artstico, que, em ltima anlise, est a servio da resistncia. Exige dos corpos uma disposio para o dissenso, para a experimentao mltipla e para o deslocamento de si, lembrando Michel Foucault (1984). No h criao possvel na ausncia do desejo de se tornar algo diferente do que se . O corpo que cria e se recria mquina desejante. potncia revolucionria que inaugura imagens do porvir. A dimenso poltica do ato criativo possibilita a inveno de linhas de fugas, que so abalos, desvios, deslocamentos e desterritorializaes que rompem com o esperado e descaracterizam as geografias mapeadas pela normatividade. Uma abertura de flancos para o surgimento de novas gentes, afectos e modos de existncia que clamam pelo que vem de fora. E o que vem de fora desestabiliza, produz fissuras por onde a vida escapa e anuncia os devires-minoritrios, quero dizer, as diferenas. J a criao como atividade po()tica, inspira-se no que ainda no tem nome e nem lugar no mundo, ou seja, no que ainda no , mas que pode vir a ser. Mesmo que por um lapso de tempo. um movimento indissociado da poesia, da paixo e do cuidado da vida e suas possibilidades (eis o carter tico da ao criativa: seu comprometimento com a manuteno da vida), porque advoga pela liberdade e pelo engenho de inditos modos de existncia (poiesis). Inspirada em oscilaes que criam combinaes aleatrias e bizarras % est()ticas marginais %,  a vida como poesia aloja-se na compreenso ntima, zona de fuga, fissura incomensurvel que abre e que no pode ser cicatrizada (PASSETTI, 2004, p. 70). Criar constitui-se, ainda, como um ato artstico. Isso porque toda inspirao criativa traz no seu ventre uma revolta, algo de peculiar muito prximo ao inconformismo, enfim, um profundo desejo de romper e/ou reformar a ordem do dia. Nas palavras de Deleuze e Guattari (1996), criar compor blocos de sensaes, afectos e perceptos. Foras que lanam o homem para o alm-do-homem e engendram heterotopias. Esta escritura corresponde a uma passagem da minha dissertao de mestrado onde trago para a arena o debate sobre a criao do corpo-masculino-docente. A partir de narrativas obtidas sob forma de entrevista, ergo problematizaes em torno de acontecimentos biogrficos narrados por seis (6) professores e que por eles so associados ao processo de inveno de seus corpos e masculinidades. Procuro compreender como esses professores % que do ponto de vista da masculinidade hegemnica no esto integrados % constroem e experienciam corpos-masculinos-menores na relao com o exerccio da docncia no Ensino Mdio. O movimento de criao e recriao dos corpos e das masculinidades desses sujeitos tomado pelo que tem de mais singular, isto , uma potncia transformacional engendrada pelo encontro com os discentes no ambiente pedaggico. Trata-se de certa atmosfera artstica, poltica e po()tica que, surgidas das afeces mobilizadas pelo estar juntos dos docentes e discentes, deslocam as corporeidades masculinas das referncias hegemnicas do gnero lanando-as para um processo de hibridizao. Ao longo do texto utilizo como objeto de reflexo excertos das falas concedidas por educadores em atividade e identificados pelos seguintes pseudnimos: Curinga, Davi, Dionsio, Hbrido, Jorge e Ricardo. A docncia parece ser escolhida como lcus onde criam heterotopia para si. Ali o corpo-masculino-docente  esquizoafetado e as novas formas de sociabilidade ganham formas e expresses. Alm de clamarem, permanentemente, pelo seu devir-nomdico. Corpos-masculinos-docentes: presenas hbridas  Presena que foge do controle. Um corpo que se dissolve. Uma masculinidade que voa para longe de si... Redes neurais que ganham formas e logo se dispersam. Espaos onde vejo afluir experincias... , diz o professor Hbrido ao final de sua  entrevista-conversa . Ele parece falar certa plasticidade no modo como experiencia e percebe seu corpo e sua masculinidade. Sua narrativa chama a ateno para um jeito fluido de experimentar o corpo e o gnero. Esse mesmo aspecto j havia aparecido nos depoimentos da maioria dos professores entrevistados, inclusive no do prprio professor Hbrido, entretanto faze questo de, ao final de seu depoimento, dar mais uma vez nfase relao entre corpo, gnero, docncia e liberdade. Ele anuncia um corpo e uma masculinidade docente em processo de libertao, pois se ergue de maneiras improvveis nos enredos sociais por onde transita. So lugares, tempos, encontros e acontecimentos que, forosamente, criam linhas de fugas para a experincia da corporeidade masculina. Um corpo em dissoluo. Uma masculinidade para alm dos limites de sua histria. Redes em movimentos que, simultnea e paradoxalmente, conectam-se,  ganham forma e logo se dispersam , porque feitas na dobra: limite tnue entre o  fora e o  dentro . Lugar onde, num lapso de tempo, a corporeidade-masculina-docente   , e logo deixa de ser, pois feita de experincias que tm o poder de libert-la. Assim, movida pelo desejo de liberdade, flui, dispersa-se, (des)conecta-se e transforma-se. Estaria o professor Hbrido narrando a experincia do nomadismo em torno do gnero e da corporeidade? O nomadismo pressupe a experincia do deserto de si, do lugar fora do lugar, da viagem sem destino e do perptuo vir-a-ser. Deleuze (1990) observa que a experincia nomdica , necessariamente, o germe da revoluo de qualquer tempo e de qualquer corpo. Sobremaneira, adverte-nos para a revoluo no futuro das gentes: Se os nmades nos tm interessado tanto, porque eles so um vir-a-ser e no fazem parte da histria; so dela excludos, mas se metamorfoseiam para reaparecer de outra maneira, sob formas inesperadas, nas linhas de fuga de um campo social (p. 209). Os devires que pulsam no corpo e na masculinidade do professor Hbrido parecem acontecimentos que se cravam na histria presente do campo de sentidos da masculinidade e da corporeidade hegemnicas. O corpo que foge ao controle e a masculinidade que se desintegra so expresses de devires que reclamam sua irredutibilidade e com isso constroem para si  a mnima diferena em espaos fora dos lugares comuns. Nessa mesma direo tambm segue o depoimento do professor Davi:  Me experimento como um ser fora da histria e do tempo comum. Um ser diferente porque no escolheu o lugar comum. O dito mundo dos machos como morada . E tambm o professor Jorge:  Eu no gosto de me repetir. No gosto de ser o mesmo sempre. Esse tempo pra mim j passou. Aqui na escola eu me repetia muito. Deve ser por causa da represso sexual (risos...). Mas hoje eu me espalho e no to nem a . Os corpos e as masculinidades docentes apresentam-se nessas narrativas, como campos de fluxos e intensidades que nos fazem duvidar de toda verdade que para si so traadas. Tencionam limites. Fissuram estruturas. Fendem sentidos e rompem com a linearidade que os interpela. Nesse movimento, recriam traos e confundem suas imagens. Fazem de si um lugar de acontecimentos. Lugares que se erguem em oposio ao sedentarismo anunciado pela norma. H um movimento inescapvel que faz suas presenas frurem: a fora do desejo pela libertao e pelo direito pluralidade. Trata-se de uma fora produtora de um intenso movimento que produz pequenos espaos de passagem por onde nasce a diferena:  as minorias, os devires, as  gentes [...] so os devires que escapam ao controle, as minorias que no cessam de ressuscitar e de fazer enfrentamentos (Deleuze 1990, p. 208). Nesse caso, ento, os corpos e as masculinidades docentes que alam vo para desconhecidos planos, no visam caracterizar aquilo que so, mas, seguindo linhas de fragilidades, procuram detectar por onde e como o que so poderia deixar de ser. Num processo de desterritorializao, assumem o movimento como caracterstica singular. Para Foucault (1994b), o deslocamento visto como uma espcie de  fratura virtual que abre um espao de liberdade concreta, isto , a transformao possvel (p. 449). Docncia masculina e artistagem Esses homens da docncia destacam-se justamente por serem uma espcie de subtrao do poder normatizante, pois violam os cdigos consagrados e ousam viver a diferena tecida nas margens % do lado de fora da vida prescrita, do amor perfeito e do desejo canonizado. So, portanto, corpos e masculinidades docentes por onde  afluem experincias e de onde testemunhamos a assuno de sensibilidades tico-polticas. A narrativa do professor Ricardo parece apontar para essa direo:  Sabe, essa coisa da emoo algo muito forte em mim. No sou determinista em minhas posies, mas sou emocionalmente intenso nelas. por a que vejo minha diferena como homem e como professor. Penso que por isso que me considero uma pessoa aberta e sensvel ao outro e s suas diferenas . pertinente sublinhar que estamos refletindo sobre corpos e masculinidades docentes em estilhao. Ou melhor, o que est em cena so processos de subjetivao em recesso. Isso porque se apresentam como linhas de fuga que subvertem e/ou rompem com as verdades dominantes; no desejam o centro nem tampouco aspiram para si uma definio precisa. So subjetividades nmades que passam, que alterizam, que vibram e constroem para si e em si espaos po()ticos e artsticos de constituio. Percorrem caminhos irregulares e instveis, apresentando-se, por fim, de modo sensivelmente surpreendente. Suas dimenses so sempre mltiplas e heterogneas. Tocados pelos fluxos moventes, pelas conexes e linhas de fugas, esses sujeitos inauguram novos sentidos e rabiscam suas cartografias. Parecem se lanar para fora de si e/ou buscar o alm-do-homem, para lembrarmos Nietzsche/Zaratustra (1986): Eu vos ensino o alm-do-homem. O homem algo que deve ser superado. Que fizeste para super-lo? Todos os seres, at agora, criaram algo para alm de si mesmos. Quereis antes ser a vazante dessa grande mar cheia e retroceder ao animal, em vez de superar o homem? Que o macaco para o homem? Um riso ou uma dolorosa vergonha. E mesmo isso deve ser o homem para o alm-do-homem: um riso ou uma dolorosa vergonha. [...] Vede, eu vos ensino o alm do homem. O alm do homem o sentido da terra. Vossa vontade diria:  o alm do homem seria o sentido da terra (p. 3). A compreenso nietzschiana do alm-do-homem como  sentido da terra incita-nos a pensar o que e quem o homem, seu corpo e sua masculinidade, por exemplo, na sua posio de natureza. As subjetividades nmades dos professores em questo parecem ilustrar bem a ideia de Nietzsche, pois para ele  o homem no um ser que possua uma essncia imutvel, mas um estar-a-caminho, uma transio, jamais um fim em si mesmo: o homem uma corda esticada entre o animal e o alm-do-homem. Uma corda sobre o abismo (Ibidem, p. 04). Numa aproximao com Foucault, o alm-do-homem presente em Zaratustra corresponde aos processos de subjetivao, pois neles os sujeitos pem-se em movimento, alteram-se e, por vezes, transpem a si mesmos. Nos depoimentos dos professores, narrativas de si, ficam evidentes os movimentos de produo de sentidos inerentes aos processos de subjetivao. A experincia de si, que Foucault chamou de  subjetivao , torna-se o lugar onde o sujeito se constitui e, paradoxalmente, se desfaz. Um processo de subjetivao est para as foras assim como na passagem de um rio forma-se remansos que so como que riachos dentro de um rio maior. Riachos com suas prprias correntezas, muitas vezes divergentes com relao corrente maior. Diz-se que esses remansos de foras so excessos do rio, pois so remoinhos que se formam em funo da corrente principal. Mas so eles igualmente recessos do rio, onde acontece algo indito, isto , os remansos de subjetivao funcionam como portas pelas quais foras entram ou so perdidas para um rio maior (CARDOSO JR., 2005, p. 188). O professor Curinga chama-nos a ateno para o movimento de tenso gerado no encontro com os alunos e que o faz refletir sobre si, no que se refere ao seu modo de ser professor e homem. Vejamos:  Hoje encontramos nas escolas um novo perfil de aluno. Esse novo pblico desestabiliza aqueles professores que estavam acostumados com algum que era apenas ouvinte e bem comportado. A gerao que ns temos hoje na educao, no Ensino Mdio principalmente, j comea a votar com dezesseis anos, ento quer dizer, ela j tem vida poltica, ela j tem vida sexual ativa, porque isso comea muito mais cedo do que a gerao anterior. Eu vivi e ainda vivo o impacto dessa diferena toda. Toda essa fora, essa beleza, vai te levando e te transformando. S precisamos nos permitir . O transbordamento desse encontro com o estrangeiro % esse corpo que vem de fora, o/as alunos/as % convoca o corpo docente ao estrangeirismo. sada do lugar comum. O convite parece seduzir o professor referido partida para uma viagem (processo de subjetivao) para fora de qualquer espao, histria ou geografia conhecida. Um processo de subjetivao que subtrai da realidade e pe o pensamento em dvida, em dvida. O encontro com o quem vem de fora possibilita o roubo de si: a experincia de sada de si. possvel aqui lembrar Blanchot (1959), que diz:  o que primeiro no a plenitude do ser, a fenda e a fissura, a eroso e o espaamento, a intermitncia e a privao mordente: o ser no o ser, a falta de ser, a falta vivente que torna a vida desfalecente, inapreensvel e inexprimvel (p. 59). As foras que vm de fora, os alunos e alunas com  novo perfil , conforme argumenta o professor, clamam por novos espaos na escola, e, por que no dizer, por novas formas de sociabilidade. Essa potncia que vem de fora advoga por um novo futuro para si e, simultaneamente, produz impactos sobre os corpos dos outros. Abrem novas possibilidades de futuro para o corpo do outro. O encontro com o que vem de fora se converte em um movimento de resistncia e de inventividade, pois segundo Deleuze (1998), a fora de fora a vida. Que territrios so esses para onde migram os professores dessa histria? Seria possvel mape-los e/ou cartograf-los? Para onde voam seus corpos? Para onde vo suas masculinidades? Que mistrio esse produzido no encontro com o outro % os alunos e alunas % e que os lanam para  campos de refugiados, campos de exilados, campos de deslocados, campos de deteno (VILELA, 2001, p. 236), mas que, no entanto,  uma vez mais, faz com que se criem a partir de um movimento centrfugo dos regimes de poderes e verdades (Ibidem, p. 236)? Que lugares e movimentos seriam esses? Algumas pistas at aqui encontradas nas narrativas docentes indicam que estamos falando de lugares e movimentos interminveis, ou seja, as heterotopias. Corpos que se encontram: potncia criativa Os corpos e masculinidades dos docentes referendados miram rotas oblquas, horizontes inalcanveis e territrios ainda sem nome. Buscam a construo de espaos em si e fora de si, que parecem deslizar para fora de todo lugar demarcado e/ou institudo: heterotopias. Elas  so lugares fora de todos os lugares inda que absolutamente localizveis , reitera Foucault (2003, p. 27). Seriam corpos e masculinidades de passagem? Irredutveis expresso de um movimento de busca por aquilo que ainda no tem nome, nem identidade e nem lugar localizvel, embora, paradoxalmente, localizvel? Corpos s margens. Masculinidades rebeldes. Corpos que excedem. Masculinidades que excedem. Seria o encontro com os outros, o lugar de construo de heterotopias? Um espao de liberdade onde os professores e tambm os/as alunos/as experienciam a criao? Seriam essas algumas das revelaes que os personagens dessa trama tentam nos contar, ou seja, narram a experincia de corpos e de masculinidades errantes e refugiadas que arquitetam heterotopias de si? Subjetividades nmades. Identidades inconclusas, ambas, beira de si. beira dos caminhos os conduzem a si, e, contraditoriamente, os distanciam de si.  beira , espao de fora, perifrico. Lugar onde a vida ganha potncia. Espao para onde se deslocam os  docentes peregrinos para o descanso, para a farra, para a bebedeira e para a profanao da ordem vigente, isto , aquilo que sacro aos corpos dos  homens de verdade . Tudo isso para pluralizar o corpo e a masculinidade; incorporar diferentes performances masculinidade hegemnica e contest-la; inventar inditos modos de vida e afetar-se por eles; multiplicar, pluralizar, hibridizar. Seriam os espaos da docncia, para esses personagens, ambientes micropolticos seminais onde a vida escapa aos desgnios do controle normativo e advoga a liberdade? lugares reais, lugares afetivos, lugares que so desenhados na instituio mesma da sociedade, e que so espcies de contra lugares, espcies de utopias afetivas realizadas, nas quais os lugares reais [...] so, por sua vez, representados, contestados e invertidos, espcies de lugares que esto fora de todos os lugares (FOUCAULT, 2003, p. 63). Em razo disso, talvez possamos falar em corpos e masculinidades heterotpicos e que, por isso, legitimamente marginais. Os professores entrevistados, de diferentes maneiras, falam de uma busca pela liberdade que est ligada abertura para novas experincias com os outros e consigo mesmos. Para eles, a possibilidade de transgredir ou mesmo escapar dos cdigos que demarcam o corpo-masculino-hegemnico encontra-se no viajar. Suas viagens so inmeras: s vezes partem para destinos conhecidos, outras vezes para terras estrangeiras. Ora sozinhos, ora acompanhados. Entretanto, tambm viajam sem sequer sair do lugar. Eles falam de suas excurses pedaggicas e dos efeitos que elas produzem sobre seus modos de ser e de existir. Com a mesma intensidade com que so negados pelas normas regulatrias do gnero, eles reagem a esse poder, e, num movimento de fuga, desafiam a ordem prescrita, vazando para o exterior % lugar onde se afirmam como sujeitos plurais. O esprito nmade desses sujeitos rejeita as interpelaes institucionais que aspiram coloc-los no centro e/ou nos lugares comuns, pois o que querem o movimento, a troca constante de posio e de referenciais, no se deixando reduzir nem ao um e nem ao mltiplo, mas mantendo aberta a possibilidade de estarem sempre no meio - atmosfera onde nascem para as diferenas. Isso caracteriza uma busca ativa pela ampliao de suas possibilidades de interveno no mundo. Uma busca que est intimamente associada ao desejo de manter abertos e vivos os espaos de criao e experimentao da liberdade de si e da relao com o outro, atuando, como sugere Foucault (1994c),  como aqueles que combatem tudo que liga o indivduo a si mesmo e assegura, assim, sua submisso s verdades dos outros (p. 227). Assim, frutos de uma espcie de  incerteza nomdica , no lado de fora, esses homens experimentam o trnsito como estilo de subjetivao, conquistando para si uma poltica migratria que os caracteriza como sujeitos de passagem em que tudo que so revela apenas momentos do seu ser. So, portanto, corpos-masculinos-docentes em trnsito. Referncias BLANCHOT, Maurice. Le livre venir. Paris: Gallimard, 1959. CARDOSO, JR. Hlio Rebello. Foucault e Deleuze em co-participao no plano conceitual. In: RAGO, Margareth, ORLANDI, Luiz B., VEIGA NETO, Alfredo. (Orgs.) Imagens de Foucault e Deleuze: ressonncias nietzschianas. 2 Ed. Rio de Janeiro:DP&A. 2005. DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Flix. 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Rio de Janeiro: Forense Universitria; Fortaleza, CE: 2007. VILELA, Eugnia. Corpos inabitveis: Errncia, filosofia e memria. 2001 Habitantes de babel. In: LARROSA, Jorge; SKLIAR, Carlos (Orgs). Habitantes de Babel: polticas e poticas da diferena. Belo Horizonte: Autntica, 2001.  Psiclogo, mestre em Educao pela Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC (e-mail: rogeriomachado6@yahoo.com.br).  Para Deleuze & Guattari (1996) as afeces so foras estranhas que irrompem sobre o fluxo comum de um corpo, isto , os devires no humanos do homem.   Os perceptos so as paisagens no humanas da natureza (Ibidem, p. 220).  Nietzsche/Zaratustra (1986).   As heterotopias so lugares fora de todos os lugares ainda que absolutamente localizveis , reitera Foucault (2003, p. 27).  Deleuze e Guatarri, na obra  Kafka - por uma literatura menor , desenvolvem o conceito de  literatura menor como dispositivo para analisar a obra de Kafka. Os textos de Kafka so considerados subversivos e revolucionrios porque representam uma atitude de resistncia prpria lngua alem. So uma espcie de literatura menor, afirma Deleuze. Quantas pessoas hoje vivem em uma lngua que no a delas? Ou ento nem mesmo conhecem mais a dela, ou ainda no a conhecem, e conhecem mal a lngua maior da qual so obrigadas a servir? Problema dos imigrantes, e ressaltam Deleuze e Guatarri (1997),  a de uma lngua menor, mas antes o que uma minoria faz em uma lngua maior (p. 25). Na perspectiva de Kafka, judeu tcheco que escreveu em alemo por causa da ocupao alem na regio, uma literatura menor desagrega a prpria lngua, pois corri o seu interior sendo veculo de desagregao dela prpria. A partir dessas ideias, Deleuze e Guatarri apresentam trs caractersticas bsicas de uma literatura menor: desterritorializao da lngua, pois desloca a lngua de seu territrio  natural ; ramificao poltica, porque desafia o sistema estabelecido; valor coletivo, uma vez que fala do coletivo e para o coletivo e no por si mesma. Em sua voz ecoam as inquietaes de uma comunidade minoritria. Assim, a ideia de corpo-masculino-menor, advm desses pressupostos.  O nmade no forosamente algum que se movimenta: existem viagens num mesmo lugar, viagens em intensidade, e mesmo historicamente os nmades no so aqueles que se mudam maneira dos migrantes; ao contrrio, so aqueles que no mudam, e pem-se a nomadizar para permanecer no mesmo lugar, escapando dos cdigos. [...] E mesmo se a viagem for imvel, mesmo se for feita num mesmo lugar, imperceptvel, inesperada, subterrnea, devemos perguntar quais so nossos nmades de hoje (Deleuze & Guattari, 1996, p.328). Fazendo Gnero 9 Disporas, Diversidades, Deslocamentos 23 a 26 de agosto de 2010  PAGE 3 lnpN P & 46,.z\ h !!""8"`"b"#(.v1l3n3$7R88B:ԹԹԹԹԹݙݹԐԹԹCJaJOJQJCJ65aJ]OJQJ$jU0J0JCJ6aJOJQJCJ6aJOJQJ!jU0J0JCJaJOJQJCJaJOJQJCJ5aJOJQJ5\jU0J0J5\CJ5aJ\8B:F:>A$B,BEEEHEJEGG I^KTRVRVV\\^6c8cdFiossyyyyy|>@24hȔؔ\ƛBD24`bеа 0JOJQJ5\OJQJOJQJB*phCJaJ\OJQJCJ6aJ\OJQJCJaJ\OJQJCJaJOJQJCJ5aJOJQJCJ6aJOJQJCJaJOJQJ?zʡ>02¨Ĩ©ΫЫ֫ҬԬج.\ʻLNP\^`bݻCJaJUCJaJCJaJ CJaJUB*phCJaJB*phCJaJ jUCJaJ0J6OJQJ 0JOJQJOJQJCJaJOJQJjU0JOJQJ5\OJQJ6]OJQJ 0JOJQJ8bplnpN & 1dh$a$1$^]` 1dh$a$1$ g )^]` )^]` )^]`&&&$a$&$a$&$a$&$a$/$a$<z""`"(.v1l3n3F:>A}xs4$a$4$a$4$a$1dh$a$1$^]`5$a$4$a$ 1dh$a$1$2$a$^x]x`2$a$^x]x`2$a$^x]x`2$a$^x]x`2$a$^x]x` AEEEHEJE^KTRVRVV^6c8cFios4$a$4$a$4$a$5$a$1dh$a$1$^]`1dd$a$1$J ^J ]`5$a$5$a$4$a$4$a$4$a$4$a$4$a$4$a$4$a$ssyyyy|>@2$a$^x]x`2$a$^w]w`2$a$^x]x`$a$5$a$5$a$4$a$4$a$4$a$4$a$4$a$4$a$4$a$4$a$4$a$ƛBD24`bz}udd$a$dd$a$ 2dd$a$ 2dd$a$ 2dd$a$ 2dd$a$dd$a$dd$a$ 2dd$a$ 2dd$a$2$a$^x]x`2$a$^x]x` >02¨/$a$</$a$4$a$$a$ 2dd$a$ 2dd$a$dd$a$ 2dd$a$ 2dd$a$ 2dd$a$dd$a$dd$a$dd$a$dd$a$¨ΫҬʻLNdfhjln $$a$ %#$a$#$a$ '$a$ 1dd$a$1$'$a$3$a$'$a$'''$a$ (npr/$a$<8. 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